segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Razões que levaram á derrota de Armando Monteiro

Ontem, ao terminar a apuração dos votos válidos no estado de Pernambuco, se encerrou um ciclo eleitoral neste ano no estado. A vitória de Paulo Câmara (PSB) ao governo do estado, derrotando o senador Armando Monteiro Neto (PTB), já era esperado pelas últimas pesquisas que foram divulgadas por institutos como Ibope e Datafolha.

Mas esse cenário era inimaginável na primeira metade do ano de 2014. Armando Monteiro liderava todas as pesquisas com grande folga. Em pesquisas realizadas na época, o petebista chegava a aparecer com 48% contra apenas 11% do socialista. Mas o que provocou essa mudança tão drástica?

Muitos creditam essa mudança á morte de Eduardo Campos (PSB), que faleceu em um desastre aéreo no dia 13 de agosto. A comoção teria levado mais pessoas a votarem no seu candidato, como uma espécie de homenagem. Durante toda a campanha, foi explorado o luto, de forma que chegava mesmo a ser desrespeitosa, para convencer os eleitores a elegerem o candidato socialista.

Mas também não se deve fechar os olhos para erros dentro da própria campanha de Armando. Alguns erros capitais foram cometidos, o que custou a vitória do petebista.

Um desses erros, por exemplo, se chama PT. O Partido dos Trabalhadores, em Pernambuco, ainda resistia à idéia de apoiar um "usineiro" para governo de Pernambuco. Muitas correntes do partido queriam candidatura própria. O que não vingou. Apenas os graúdos do partido estavam lado a lado com Armando. Lula teve que vir em Pernambuco na época para convencer o partido a não repetir o erro de 2012. O PT aceitou a aliança com Armando. Mas os problemas não terminaram aí.

Durante a campanha, algumas pessoas ligadas ao PTB reclamaram que militantes do PT estavam fazendo "corpo-mole". Este blogueiro viajou pelo estado todo em companhia do então candidato a deputado federal, Ricardo Teobaldo, e pôde constatar a pouca presença de militantes petistas - que sempre tiveram grande poder de mobilização - nas manifestações pró-Armando.

Este blogueiro entrou em contato, via Twitter, com a presidente do PT estadual, deputada Teresa Leitão, sobre o assunto, que negou que o partido estivesse fazendo corpo mole e estava convocando a militância petista para ajudar na campanha do petebista. Teresa tem poder de articulação e é uma grande mulher, mas seu partido é desunido, infelizmente. Para piorar a situação, semana passada, correntes do PT declararam apoio ao Paulo Câmara.

O resultado chegou ontem. Nenhum deputado federal do PT foi eleito. Petistas de grandes e relevantes serviços prestados, como Fernando Ferro e Pedro Eugênio, ficaram de fora. No estado, apenas três eleitos: Teresa Leitão, Odacy Amorim e Manoel Santos. Já o candidato a senador pelo PT, João Paulo, perdeu a eleição para o senado até mesmo no Recife. O PT continuará apenas com uma cadeira no Senado, com Humberto Costa.

Outra razão do insucesso da campanha que parecia vitoriosa pode se creditar à articulação política que houve do outro lado. Ainda vivo, Eduardo conseguiu unir 21 partidos em torno de Paulo. O curioso é que entre esses partidos estavam seus ex-inimigos do passado, PMDB, DEM, PSDB e PPS. Para quem não lembra esses partidos estavam na coligação de Jarbas em 2010. Jarbas, que por sinal, também apoiou o PSB.

Se esses partidos tivessem lançado um candidato mais ligado às suas convicções para governador, uma chapa que relembrasse a antiga "União por Pernambuco", as chances de vitória de Armando poderiam ser maiores, pois dividiria os votos de Paulo Câmara com outro candidato dessa chapa, o que poderia até provocar um segundo turno entre Paulo e Armando.

Eduardo trouxe para o lado de Paulo também partidos que deveriam estar na coligação de Armando, uma vez que nacionalmente, apoiaram Dilma Rousseff. Faltou na coligação do petebista o PR, o PP, o PC do B e o PSD. O PMDB era a única exceção, pois no estado, esse partido sempre fez oposição ao PT, ao contrário dos outros partidos citados.

Este blogueiro também questionou Luciano Siqueira, do PC do B, atual vice-prefeito do Recife, sobre essa aliança com Paulo e com Dilma (mistura danada). Luciano disse: "O PC do B tem uma aliança estratégica com o PSB e o PT". Limitou-se a responder. Tal fato fez com que no palanque de Paulo, houvesse uma coisa inusitada: PC do B e DEM dividindo o mesmo palanque. A luta era desigual: 21 partidos com Paulo e apenas 6 partidos com Armando. Ou seja, era mais do que o triplo do adversário petebista.

Os militantes do PSB também conseguiram fazer uma campanha para desconstruir o ex-aliado. Diziam que ele "havia quebrado empresas, bancos, usinas" (que não eram apenas dele, mas sim da família). E assim, se desenhou a vitória de Paulo, que não pode ser creditada apenas à comoção pela morte de Eduardo, mas a erros estratégicos que houveram na campanha, bem como a capacidade de articulação do PSB. Armando Monteiro, com o resultado, continua agora senador. É juntar os cacos para tentar dar a volta por cima, quem sabe, em 2018.

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